A criança escolhe um livro e leva para casa em uma pasta com o caderno , lápis de cera e caneta hidrocor. Os pais contam a história e a família passa momentos gostosos de literatura em casa. A criança desenha e escreve se já sabe, senão os pais escrevem como foi esse prazeroso momento em família. Dá muito certo e as crianças insistem para levar o caderno para casa. Na sala mostram seu desenho e recontam a história. A professora lê o que os pais escreveram. Depois todos querem falar um pouquinho sobre a história. Na sala todo dia é dia de história!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
O CADERNO DE HISTÓRIAS
A criança escolhe um livro e leva para casa em uma pasta com o caderno , lápis de cera e caneta hidrocor. Os pais contam a história e a família passa momentos gostosos de literatura em casa. A criança desenha e escreve se já sabe, senão os pais escrevem como foi esse prazeroso momento em família. Dá muito certo e as crianças insistem para levar o caderno para casa. Na sala mostram seu desenho e recontam a história. A professora lê o que os pais escreveram. Depois todos querem falar um pouquinho sobre a história. Na sala todo dia é dia de história!
AMBIENTE E ROTINA PARA AS CRIANÇAS DE SEIS ANOS
O AMBIENTE ALFABETIZADOR E A INTERVENÇÃO DO PROFESSOR
A sala de aula deve servir para despertar os sentidos dos alunos, transformando-se num local propício à aprendizagem.
O professor deverá estimular o gosto e o uso social da leitura e a escrita, através de um ambiente que deverá conter: livros de história, revistas, livros de enciclopédia com fotos do mundo natural e social, receitas, textos coletivos e listas de determinados temas relatados pelos alunos. Sendo a alfabetização desenvolvida dentro de um contexto natural, social e lógico matemático.
Neste caso, estaremos alfabetizando letrando. A seguir os conceitos de alfabetização e letramento:
Letramento não é necessariamente o resultado de ensinar a ler e escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter se apropriado da escrita (SOARES, 2003). Surge então um novo sentido para o adjetivo letrado, que significava apenas “que, ou que é versado em letras ou literatura; literato” (MICHAELIS), e que agora passa a caracterizar o indivíduo que, sabendo ler ou não, convive com as práticas de leitura e escrita. Por exemplo, quando um pai ler uma história para seu filho dormir, a criança está em um processo de letramento, está convivendo com as práticas de leitura e escrita. Não se deve, portanto, restringir a caracterização de um indivíduo letrado ao que domina apenas a técnica de escrever (ser alfabetizado), mas sim aquele que utiliza a escrita e sabe “responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz continuamente”. (SOARES, 2003)
A alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo na qual o indivíduo constrói a gramática e em suas variações. Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas ( codificação e decodificação) . A alfabetização envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso de linguagem de uma maneira geral. A alfabetização de um indivíduo promove sua socialização, já que possibilita o estabelecimento de novos tipos de trocas simbólicas com outros indivíduos, acesso a bens culturais e as facilidades oferecidas pelas instituições sociais. A alfabetização é um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
Além deste ambiente letrado, a criança de seis anos precisa realizar as atividades de forma diversificada. É claro que em determinado momento elas precisam concentrar-se no que o professor fala e realizar as atividades em folhas propostas, mas como nesta idade o tempo de concentração é pouco, a aula deve ser a mais dinâmica e lúdica possível, para manter a atenção das crianças. O tempo de conversa também não deve ser muito longo, pois, logo os alunos irão dispersar-se.
Neste caso, é importante estabelecer uma rotina com as crianças. Essa rotina será fixada de modo que todos possam consultá-la.
Neste caso, é importante estabelecer uma rotina com as crianças. Essa rotina será fixada de modo que todos possam consultá-la.
Karla Cristina
ALGUMAS TENDÊNCIAS EQUIVOCADAS DO CONSTRUTIVISMO
Proposições Construtivistas
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Tendências equivocadas da transposição pedagógica
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· Evolução psicogenética entendida como um processo ativo e pessoal de elaboração cognitiva, a partir das experiências vividas.
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Escrita espontânea como oportunidade de produção significativa para a reflexão lingüística e para a constituição da autoria (o aprendiz-autor).
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O quadro do capítulo anterior demonstra muitas práticas pedagógicas equivocadas que ocorreram após, as pesquisas de Emília Ferreiro sobre a construção da leitura e da escrita na lógica do pensamento infantil. Ansiosos por encontrar alternativas para os dramáticos índices de reprovação e fracasso escolar, muitos professores acabaram fazendo uma transposição demasiadamente direta das situações de pesquisa, trazendo-a para a escola mais como uma metodologia de trabalho do que propriamente como um estímulo à reflexão, ao estudo e ao planejamento de práticas mais compromissadas com o aprendiz. Neste caso, alguns orientadores pedagógicos proibiam a correção da escrita, dizendo que atrapalharia o processo individual da criança, além de exigir que o professor esquecesse toda a sua prática anterior, a qual eles consideravam tradicional, ao invés de partir desta prática segura e oferecer-lhe embasamento teórico para criar o novo aos poucos a partir desses estudos.
Surgiram os modismos pedagógicos, práticas inconseqüentes e até irresponsáveis, embora não necessariamente mal intencionadas. Muitos professores pressionados por esse modismo desaprenderam o que sabiam, pois, muitos orientadores diziam que no construtivismo não existia método. E tudo o que professor fazia de antigo era veementemente criticado, deixando-o completamente desorientado, pois ao mesmo tempo o O.P não mostrava nenhuma orientação em relação à didática de ensino, dizendo que o professor teria que refletir sobre o como a criança pensava sobre a escrita e a partir daí intervir.
Intervir ou não intervir no processo de aprendizagem? Focar somente na reflexão do aprendizado infantil ou também na metodologia de ensino, mais especificamente a didática de ensino? Essas eram as muitas questões que alguns professores faziam e ainda fazem.
O que prevaleceu nos anos 80 e 90 foi a existência de uma grande parcela de alunos que passaram anos sem saber escrever alfabeticamente, ou daqueles que, mesmo tendo atingido esse estágio, não se constituem efetivos usuários da leitura e da escrita.
O construtivismo e não os erros cometidos nas salas de aula por quem mal o interpretou, é considerado o vilão dos quadros de analfabetismo na América Latina.
Karla Cristina ( trecho retirado da minha monografia : "A Orientação Pedagógica e a Alfabetização"A CRIANÇA DE SEIS ANOS
Nesta fase a criança é muito ativa, gosta de jogos agitados, já possui melhor desenvolvimento motor amplo e maior controle da musculatura fina, tem consciência das mãos como instrumento. Há grande expansão do desenvolvimento intelectual; certo nível de maturidade é atingido e ela adquire conhecimentos variados.
A linguagem está completa. As necessidades sociais e culturais são incorporadas ao pensamento, contribuindo-lhe para estruturá-lo. Com o apoio da linguagem, as classes lógicas se constituem gradualmente; os conceitos ganham em generalidade e precisão, baseados em experiências tanto verbais como concretas, motivados pela intensa curiosidade e necessidade de comunicação.
Fica feliz ao ser elogiada. É muito mais fácil conseguir dela um comportamento adequado através do estímulo do que pela censura.
Ao receber uma criança de seis anos no ensino fundamental é importante o professor conhecer as fases do desenvolvimento infantil descritas por Piaget e os níveis de escrita que Emília Ferreiro pesquisou.
O professor terá que trabalhar com a diversidade, pois as crianças, serão de diferentes famílias, de diferentes origens sociais e culturais, tendo algumas acesso ao mundo letrado, enquanto outras não, até mesmo por terem pais analfabetos. Portanto, umas chegarão a escola com determinado conhecimento na leitura e escrita e outras não terão esse mesmo nível.
Como deve ser a sala de aula para uma criança ativa com necessidade de movimentação? Muitas escolas ainda as colocam em salas com cadeiras enfileiradas, restringindo seus movimentos e causando problemas de comportamento.
Nesta fase o desenvolvimento intelectual atinge grande avanço, a criança tem a necessidade de reinventar, tem grande curiosidade acerca do mundo, precisa lidar com o concreto na aquisição de certos conceitos. Será que uma concepção baseada somente na transmissão do código alfabético com memorizações desvinculadas de qualquer contexto seria interessante e significativa para esta criança?
Texto retirado da minha monografia da pós-graduação, cujo tema é a alfabetização
Karla Cristina
Texto retirado da minha monografia da pós-graduação, cujo tema é a alfabetização
Karla Cristina
quarta-feira, 28 de março de 2012
QUANDO A ESCOLA É DE VIDRO
Quando a Escola é de Vidro (Ruth Rocha)
Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que agente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano, era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado?
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com forço, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio.E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer á vontade.
Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas.Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros.E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.
Ai não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo...
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado...
Os professores não gostavam nada disso...
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...
Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
_Se Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro...
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Hermenegildo chegou muito desconfiado:
Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli.È um perigo esse tipo de gente aqui na escola.Um perigo!
A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais.Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
_SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(Pra ela bárbaro era xingação).
Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina...
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
_Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
_Não tem importância.A gente começa experimentando isso.Depois a gente experimenta outras coisas...
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...
Reflexões sobre o início de 2012
Está tudo indo bem graças a Deus e assim continuará, pois Ele estará sempre me protegendo de todo o mal amém! O resto é coisa pequena (coisas de adultos ). Estou tranquila, pois sei o quanto sou dedicada, carinhosa e trato a todos com respeito e educação. O que me revitaliza e o que importa são os meus alunos . Sei o quanto gostam de mim , assim como eu deles!
Um dia quem sabe a escola poderá ser prazerosa e não seremos como operários de uma fábrica ou soldados de um quartel, porém muitas vezes temos que nos adequar a escola e entrarmos dentro do vidro, senão...
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
Eu ia para a escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que agente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano, era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado?
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com forço, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio.E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
Então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
A minha professora dizia que ela sempre tinha usado vidro, até para dormir, por isso é que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer á vontade.
Então a professora respondeu que era mentira.Que isso era conversa de comunistas.Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros.E tinha uns que mesmo quando saiam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que era pobre.
Ai não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo...
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
Engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado...
Os professores não gostavam nada disso...
Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...
Nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
_Se Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas dona Demência não era sopa.
Deu um croque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro...
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Hermenegildo chegou muito desconfiado:
Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli.È um perigo esse tipo de gente aqui na escola.Um perigo!
A gente não sabia o que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
Seu Hermenegildo não conversou mais.Começou pegar os meninos um por um e enfiar á força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro, já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era para ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e dona Demência já estava na janela gritando:
_SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(Pra ela bárbaro era xingação).
Chamem os Bombeiros, o Exército da Salvação, a Polícia Feminina...
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6ª série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
_Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
_Não tem importância.A gente começa experimentando isso.Depois a gente experimenta outras coisas...
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...
Reflexões sobre o início de 2012
Está tudo indo bem graças a Deus e assim continuará, pois Ele estará sempre me protegendo de todo o mal amém! O resto é coisa pequena (coisas de adultos ). Estou tranquila, pois sei o quanto sou dedicada, carinhosa e trato a todos com respeito e educação. O que me revitaliza e o que importa são os meus alunos . Sei o quanto gostam de mim , assim como eu deles!
Um dia quem sabe a escola poderá ser prazerosa e não seremos como operários de uma fábrica ou soldados de um quartel, porém muitas vezes temos que nos adequar a escola e entrarmos dentro do vidro, senão...
domingo, 25 de março de 2012
HIPÓTESES DE ESCRITA DAS CRIANÇAS DO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL
FEVEREIRO/2012
ATIVIDADE COM A RELAÇÃO GRAFEMA/FONEMA DA LETRA INICIAL E HIPÓTESES DE ESCRITA/ Mês de fevereiro/ Turma da tarde. Obs: esta turma já convive em um ambiente letrado e alfabetizador desde a educação infantil.
É importante conhecermos os níveis psicogenéticos pesquisados por Emíia Ferreiro e Ana Teberoky para irmos intervindo nas hipóteses que as crianças tem sobre a escrita.
- Hipótese pré-silabica
- Características
- Utilizam números, letras e pseudo letras.
- O critério de seleção é forte.
- Não compreendem que a escrita é a representação da fala.
- Realismo nominal ( quanto maior o objeto , maior o número de caracteres). Ex: A formiga é pequena , por isso se escreve com menos letras, enquanto que o boi é grande, então eles escrevem com mais letras.
- Intervenções
- Trabalhar com o nome próprio e dos outros ( reconhecimento global, letras iniciais e finais)
- Leitura de textos que saibam de memória pelo professor e pelo aluno (parlendas, cantigas, trava-línguas)
- Oferecer lista de palavras com lacunas/figuras
- Cruzadinhas com banco de palavras/imagens
- Completar as palavras com a letra e sílaba inicial
- Completar as palavras com as vogais que faltam
- Organizar as letras das palavras , pareando a palavra.
- Contar nº de letras das palavras
- Escritas espontâneas
- Hipótese silábica
- Características
- Percebe a relação entre a oralidade e a escrita
- Usa uma letra para cada sílaba
- Pode ou não fazer uso de valor sonoro ( de vogal ou consoante)
- Determina mínimo de letras.
- Intervenções
- Trabalhar com os nomes dos alunos
- Textos de memória ( parlendas, cantigas, trava-línguas, etc.)
- Cruzadinhas e textos lacunados para perceber o nº de letras e de palavras.
- Atividades para contar as letras e sílabas das palavras.
- Atividade para alterar as vogais e manter as consoantes. Ex: BOLA- BOLO - BELA
- Completar as palavras com a letra e sílaba inicial.
- Escritas espontâneas
- Hipótese silábico-alfabética
- Caractrísticas
- Fase de transição -silábico- alfabético
- Ora compõe sílabas, ora não compõe na mesma palavra
- Faz maior uso de consoantes
- Acreditam que algumas consoantes se bastam para a composição da sílaba. Ex: B= BE
- Intervenções
- Cruzadinhas
- Forca
- Texto Lacunado;
- Pedir para a criança ler o que escreveu
- Atividade com sílabas simples e complexas, para a formação de palavras, frases e textos.
- Escritas espontâneas
- Hipótese alfabética
- A hipótese alfabética parece ser um fim de um longo trabalho, mas é o começo de mais uma longa fase.
- Características
- Escreve compondo sílabas foneticamente corretas;
- Desconsideram a segmentação entre palavras;
- Hipercorreção: exagera no uso de acentos e pontuação.
- Intervenções
- Ortografia: ditado de palavras com sílabas simples e complexas. Ditado de frases. Uso do dicionário para verificar as palavras.
- Produção de textos e revisão destes. Trabalhar vários estilos discursivos , considerando a pontuação, ortografia, coesão textual e criatividade.
- Leitura e interpretação de textos. Leitura de histórias para levar para casa e recontá-las na roda ( caderno de histórias). Oferecer vários gêneros textuais (poesias, narrativas, textos informativos, textos para se comunicar (cartas e bilhetes), trava-línguas, etc.
- Quadro de regularidades ortográficas
- Forca
- Segmentar pequenos textos (parlendas, quadrinhas, etc.)
- Pintar lacuna entre palavras em pequenos textos (segmentação)
FEVEREIRO/2012
NÍVEIS CONCEITUAIS DE ESCRITA
- IRBODG /DIRETOR( ALUNA: TAINÁ-PRÉ-SILÁBICA)
- MPSDA /PROFESSORA (ALUNO: CARLOS ALEXANDRE- PRÉ-SILÁBICO)
- EFEHI//DIRETOR (ALUNO:WESHELY- PRÉ-SILÁBICO)
- SVT/SERVENTE/ IEO/DIRETOR ( ALUNO: GUILHERME- SILÁBICO)
- IEOA/DIRETORA(ALUNA- LIDIANE- SILÁBICA)
- OFFOA/PROFESSORA( IZABEL - SILÁBICA- NAS OUTRAS PALAVRAS TEVE UMA INTERVENÇÃO)
- DEO/DIRETOR ( ALUNO:WESLEY-SILÁBICO)
- OEOA/PROFESSORA (ALUNA:LÍVIA-SILÁBICA)
- POFOA/PROFESSORA CVT/SERVENTE ( GABRIEL/SILÁBICO-ALFABÉTICO)
- SCEA/SERVENTE/ DIRETO/DIRETOR ( CAIO JORGE/TRANSIÇÃO ENTRE NÍVEIS SILÁBICO E ALFABÉTICO AVANÇA E RETROCEDE/ DIZEM QUE UTILIZAM LETRA CURINGA , QUANDO NÃO CORRESPONDEM GRAFEMA/FONEMA)
- CVTD/SERVENTE (ADEILTON-SILÁBICO/ALFABÉTICO
- SEVETE/SERVENTE(BIANCA-ALFABÉTICA)
- DIRETORA(CAIO REIS/ALFABÉTICO)
- DIRETORA(FELIPE/ALFABÉTICO)
- DIRETORA(NATÁLIA-ALFABÉTICA)
- PROFESORA(BERNARDO-ALFABÉTICO)
- DIRETORA(IZABELLA CECÍLIA-ALFABÉTICA)
A atividade interviu na relação letra/som das iniciais das palavras, importante para a construção do sistema alfabético e mais adequado para os níveis pré-silábicos e silábicos, que ligaram as palavras às letras iniciais. Os silábicos -alfabéticos e alfabéticos escreveram as palavras com facilidade.
Reconhecimento dos nomes e letras inciais
Contação e reconto da história: "A Limpeza de Teresa". Registro com desenho e da expressão do pensamento, através da escrita da frase. Escrita de acordo com o nível conceitual. Intervenção da professora, quanto a estrutura da frase.
ABRIL /2012
ATIVIDADE SOBRE AS PARTES DO CORPO E DIVERSIDADE

BERNARDO-ALFABÉTICO
CAIO JORGE- SILÁBICO-ALFABÉTICO
GABRIEL-ALFABÉTICO
JHENYPHER-SILÁBICA -CONSCIÊNCIA SONORA DE VOGAL
CAIO REIS-ALFABÉTICO
GUILHERME-SILÁBICO-ALFABÉTICO
WESHILEY- SILÁBICO-ALFABÉTICO/AVANÇA E RETROCEDE. MUITAS VEZES NÃO RELACIONA LETRA/SOM DE VOGAIS OU CONSOANTES E UTILIZA LETRAS CURINGAS PARA SUBSTITUIR AS QUE NÃO RECONHECE!
IZABEL- TRANSIÇÃO ENTRE OS NÍVEIS SILÁBICO E SILÁBICO-ALFABÉTICO
MAIOR CONSCIÊNCIA SONORA DE VOGAIS . RELACIONA O SOM DE ALGUMAS CONSOANTES/ ALGUMAS SÍLABAS RECONHECE , POR CAUSA DOS NOMES DE ALUNOS COMO "CA" DE CAIO
FELIPE-ALFABÉTICO
BIANCA-ALFABÉTICA
LUCCAS-ALFABÉTICO
IZABELLA CECÍLIA -ALFABÉTICA
Escrita espontânea, de acordo com a hipótese de escrita/Maio/2012
Obs: observo que muitas crianças soletram corretamente as letras das palavras , mas na hora de escrever omitem vogais ou consoantes ou invertem sílabas, isto ocorre quando fazem a atividade sem a minha presença ,parece que ainda não estão seguras em suas hipóteses silábico-alfabética, retornando para escritas silábicas. Descobri três alunos com as mesmas escritas, pois copiam. Quando realizarmos alguma atividade de avalição diagnóstica, é necessário que façamos com a criança individualmente, tendo o cuidado para não intervir , mesmo ditando acabamos intervindo. Na realidade os níveis transitam , até as crianças escreverem de forma realmente segura alfabeticamente !
domingo, 29 de janeiro de 2012
COMEÇAR DE NOVO!
Dia 1° de fevereiro começa tudo de novo , agora no ensino fundamental, no qual terei duas tumas de 1º ano e sei que terei muito trabalho! ! Nova fase, novo ciclo. O momento é de transformação! Seja o que Deus quiser! E tenho fé nele! Tudo dará certo!
Na segunda matrícula é que começará realmente o ano como professora e na escola que escolhi dia 1º de fevereiro de 2011, agora vou levar meu caderninho de planejamento e ficar em uma turma somente, sem ter que ficar pulando de turma em turma e de escola em escola, em consequência daquela residência !
Boa sorte para todas as professoras!
Karla
Na segunda matrícula é que começará realmente o ano como professora e na escola que escolhi dia 1º de fevereiro de 2011, agora vou levar meu caderninho de planejamento e ficar em uma turma somente, sem ter que ficar pulando de turma em turma e de escola em escola, em consequência daquela residência !
Boa sorte para todas as professoras!
Karla
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- Karla Cristina Carrozzino Gaudencio
- Pedagoga especialização em educação infantil, educação especial, orientação educacional e pedagógica. Professora com muito orgulho! Se passar neste blog, deixe o seu recadinho!!! Beijos Karla











































